Página Principal | Vídeos | Desenvolvimento do bebê - módulo 5: crescimento físico
Desenvolvimento do bebê - módulo 5: crescimento físico
21/10/2011 20:46
Especialista
Dr. Renato Pessoa de Carvalho
Graduado em Medicina pela PUC, tem especialização como Pediatra Neonatologista. Dr. Renato é membro da equipe de maternidade do Hospital São Luiz, em São Paulo.
Contato
Fone: (11) 3819-4424
Resumo da entrevista
NANCI GIL – As internautas estão com muitas dúvidas sobre a relação do peso e altura da criança. Quando a criança está deixando de crescer, muitas dizem meu filho parou de crescer. Onde ela pode encontrar uma resposta além de ir ao pediatra?
RENATO PESSOA DE CARVALHO – Ir ao pediatra é sempre recomendado, mas indo no pediatra, indo em qualquer posto de saúde, e aqui no Alô Mamãe, tem um gráfico que relaciona peso e altura. Esse gráfico serve para uma série de coisas que tiram a aflição das mães. Primeiro, existe uma variedade grande genética normal da população.
http://www.alomamae.com.br/arquivos/caderneta_saude_da_crianca.pdf
NG – São gráficos diferentes para meninas e meninos?
RPC – Sim, são gráficos diferentes. Tem o gráfico para menina e o gráfico para menino, porque eles têm um desenvolvimento um pouco diferente. Muitas das queixas “o meu filho não cresce” é uma aflição da mãe, ou é um ideal que a mãe tem para seu filho. Isso é um problema que a gente vê com frequência no consultório.
NG – Ela está vendo um modelo externo? Por exemplo, Gisele Bündchen: minha filha não vai crescer tanto quanto uma modelo?
RPC – É um modelo externo. Não vai crescer, ela sabe que não vai crescer porque ela não é alta. Ao mesmo tempo é uma queixa que ela fala para o pediatra: “mas minha filha não é alta”. E não é alta e não vai ser alta, porque geneticamente ela não está predisposta.
NG – Se a mãe é de estatura baixa e o pai também?
RPC – Não tem mágica, existe ascendência familiar. Você pode puxar para os avós e tios, mas você tem uma estrutura familiar. Existe uma fórmula que com 7 ou 8 anos você consegue estimar a altura de uma pessoa, baseada na história familiar principalmente de pais e mães.
NG – Com 7 ou 8 anos consegue estimar quanto ela vai ter de altura?
RPC – Estimar aproximadamente com erro.
NG – Por meio de exames?
RPC – São exames que podem ser feitos. O histórico, quanto mede seu pai, quanto mede sua mãe, a história familiar seus irmão são altos, você consegue tirar isso, fazer uma história desde conta simples até uma conta que inclui idade óssea. Mas o meu grande problema é que eu vejo acontecer é mães e pais transformarem uma característica física da criança num problema psicológico. Porque se a mãe está falando para o pediatra que acha que a filha é baixa, ela fala isso para a filha em casa 24 horas por dia, e essa menina que claro não é alta, mas ela também não é baixa, ela vai começar a se sentir inferiorizada.
NG – Inferiorizada e vai criar um trauma.
RPC – Então, a mãe que pegar esse gráfico eu peço que elas olhem esse gráfico. A criança tem que seguir este gráfico, existe uma variação a faixa superior a faixa inferior. Mas dentro deste limita a criança é normal, se a faixa dela está se desenvolvendo paralelamente é porque ela está desenvolvendo. Eu estou vendo hoje em reportagens de televisão injeções para crescer o seu filho, como se isso fosse uma coisa simples, não é. È um tratamento caro, arriscado, cheio de efeitos colaterais, que a gente guarda para crianças que não crescem. Se você quer saber se seu filho não cresce, vá ao pediatra ou põe ele no gráfico. No cartão do SUS tem o gráfico. Se a curva estiver ascendente ele está crescendo.
NG – Então, este cartão serve como uma orientação para fazer a proporção de peso e altura?
RPC – Sim, vai ter o gráfico de peso e o gráfico de altura.
NG – E também você citou que às vezes a criança ou o adolescente não tem esse problema, ele não se acha alto o suficiente do jeito que a mãe e o pai querem. Mas para ele não tem problema nenhum?
RPC – Induzem esse problema.
NG – Ele fica com um problema que não existia?
RPC – Não existia e é esse problema que vai interferir na socialização.
NG – Por exemplo, a mãe e o pai são baixos. Eles dizem: “eu queria que meu filho fosse mais alto”. Existe agora, pelo menos eu vi, como moda, retardar a primeira menstruação para que a filha cresça um pouquinho mais?
RPC – Você disse a verdade, isso é moda. Isso não é cientificamente aprovado. Existem crianças que necessitam disso, crianças que tem a puberdade um pouco adiantada. Então até por falar de crescimento é importante deixar claro que uma das etapas mais importantes do crescimento é a puberdade. E a puberdade é variável também. Se você pega um menino ele pode entrar na puberdade com 10 ou 11 anos e o outro vai entrar na puberdade com 14. Isso é importante deixar claro, porque você fala assim: “meu filho não está crescendo e na classe dele todo mundo ficou grande”. Se ele estiver só com a puberdade atrasada ele vai crescer mais pra frente.
NG – Como é que se sabe se está na puberdade apenas com as características normais?
RPC – Características normais de desenvolvimento são pelos pubianos, tamanho testicular, tamanho peniano.
NG – Está virando um homenzinho?
RPC – É, vai ter esse desenvolvimento. Se você verificar que essa puberdade está muito atrasada, ou que mesmo no início da puberdade ele não está crescendo, daí nós podemos procurar ajuda.
NG – Se perceber que está virando um homenzinho e não estiver crescendo?
RPC – Se não estiver crescendo podemos procurar o pediatra, o endocrinologista para fazer os exames hormonais nele. Mas isso é raro, o que se vê na televisão e o que você está falando dessa moda, é ao que me refiro, é a mãe com o ideal, que impõe o ideal que está errado. Eu vou dizer para qualquer mãe, a criança não vai crescer mais que o seu padrão normal genético atrasando a menstruação. Não existe, existe um padrão genético. Se você atrasar a menstruação, você faz com que a criança desenvolva um pouco mais até o limite genético dela. Como têm crianças que tem uma menstruação muito cedo e isso vai impedir o crescimento até o padrão máximo genético, a gente pode discutir esse retardo dentro de limites científicos. Agora, não ache que se você é baixa, se você atrasou a menstruação da sua filha, ela vai chegar a 1,70m porque não vai.
NG – Não se ganha 10 ou 15 centímetros porque atrasou a menstruação?
RPC – Não se ganha. Vamos deixar claro que todos esses tratamentos têm efeitos colaterais.
NG – Exatamente, se ganha 5 ou 4 cm, mas também ganha uma série de efeitos colaterais?
RPC – Tem risco maior de obesidade, você tem uma série de problemas. Por quê? Porque ao invés dela ter 1,62m ela vai ter 1,64m, porque ao invés de 1,58m ela vai ter 1,62m.
NG – Um saltinho já resolve a situação.
RPC – E o que isso levou de inferiorização da criança, o que isso levou desse objetivo.
NG – Valoriza-se demais o tamanho, a altura da criança por causa da mídia. No meu tempo, por exemplo, as crianças atingiam um determinado tamanho, um ou outro alemão que era maior como você falou, era a genética. Mas atualmente a gente vê, e até os cronistas esportivos comentam, que os times de vôlei, por exemplo, que a média da altura aumentou. Isso não é genética? É exercício, é o esporte ou é a evolução?
RPC – É a evolução natural, é a genética. Se você até verificar o gráfico, que mede, é um gráfico que se faz. A OMS faz esse gráfico a cada 5 anos. A estatura média mundial não aumentou tanto que nem dizem.
NG - Mas a altura do brasileiro principalmente não é?
RPC – Por exemplo, o vôlei chamou a atenção.
NG - Reuniu os altos?
RPC – Reuniu os altos, todo mundo que é alto pensou vou jogar vôlei. Então, não é que não existia essa pessoa alta, esse alto ele foi procurado, ele foi garimpado.
NG - Agora o vôlei é uma profissão?
RPC – O vôlei, o basquete, o esporte em si cada vez mais valoriza o tamanho corpóreo, mesmo na natação. Por exemplo, o Gustavo Borges tem 1,98m ou 2m.
NG - Mas, por exemplo, no futebol não se tem isso?
RPC – No futebol não, porque é característica o baixo é ágil, o maior é menos ágil. Então, cada esporte vai ter a sua característica importante. Esse é até um exemplo que eu dou: “quero que meu filho tenha 2 metros”. Mas aí ele não vai pilotar Fórmula 1 porque não pode ter mais que 1,70m.
NG - Fica muito na idealização da mãe?
RPC – Fica muito na idealização dos pais. E essa idealização é o que me preocupa, é que gera um problema psicológico na criança onde não deveria ter.
NG - Aí é que mais difícil de administrar talvez?
RPC – Sim, ela começa a se sentir inferior: “sou inferior porque eu tenho 1 metro e pouco”. Existem os problemas patológicos. Existe aquela curva que você faz e a curva para esse é um problema. Existem as crianças abaixo da curva. Vamos analisar, vamos tratar.
NG - E problemas ortopédicos podem impedir o crescimento, por exemplo, pé torto?
RPC – O crescimento em si não. Mas dor, desenvolvimento de pernas, até por ele ter pé torto dói a perna, não faz muito esporte, não chega no limite máximo do seu poderio genético, nessa relação. Mas o que vai interferir no crescimento seria mais problemas de coluna, de gênesis óssea que são mais raros.
NG - Sempre raros, a maioria é normal?
RPC - A maioria é normal, segue seu padrão normal. A maioria vai puxar a família, vai puxar mãe, pai, avô, tio. Faz parte, é assim quem sai aos seus não degenera, e isso faz bem para a criança. É isso que tem que ser procurado, ser visto. Segue o gráfico, olhem o gráfico, se ele está acompanhando está bem.
NG - Só para terminar, você já comentou que a criança gordinha vai ao consultório. Até uma certa idade está bem. Depois vai magrinha também?
RPC – Essa é uma informação interessante, porque o desenvolvimento da criança muda-se as características. Eu repito que hoje em dia nós vivemos uma epidemia de obesidade, isso é um foco que todo o pai tem que ter. A criança magra geralmente é saudável. Fisiologicamente uma criança de 2 anos saudável, ela é fofa, ela é gordinha. E uma criança de 4 anos no mesmo percentil ela é magra.
NG - Não quer dizer que ela tenha algum problema? Simplesmente é a característica da fase que ela está?
RPC – Não quer dizer que ela tenha problema, é característica. Se você pegar no gráfico do Alô Mamãe, que é um gráfico específico, você vai ver que uma criança de 2 anos tem uma massa corpórea maior que uma criança de 4 anos. Por quê? Porque uma criança de 2 anos ela está em uma fase de desenvolvimento, ela ainda guardou com a amamentação muita gordura, uma gordura específica da criança. Por isso que o braço da criança é aquela coisa fofinha, é uma gordura específica. Essa gordura ela vai gastar no seu desenvolvimento, quando ela chegar com 4 anos ela não pode ter mais essa gordura, aí ela está magra. Ela estando magra, o ambiente, a família, tudo induz: “você era gordinha, você tem que ser gordinha”. Eu queria deixar claro que uma criança de 2 anos gorducha ela é fofa, uma criança de 4 anos gorducha ela é obesa, ela não está bem.
NG – Então tudo depende da fase que ela está?
RPC – Da fase e do gráfico.
NG – Essa é a orientação que as mamães têm que seguir?
RPC - Você vai ver que no gráfico a altura segue direitinho, mas a curva de peso vai debaixo para cima. Aí atenção: é uma doença grave a obesidade na infância, com repercussões importantes dessa criança na fase adulta, adulta jovem.

