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Agora Somos uma Família - módulo 3: dinheiro, trabalho e família
18/10/2011 19:42




 

 

 

 

 

Especialista

 

Waldemar Magaldi Filho

 

Formado em Psicologia, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Atende clientes em consultório, faz palestras, coordena e ministra cursos de especialização. Autor do livro: "Dinheiro, saúde e sagrado".

 

Contato
Site: www.waldemarmagaldi.com

 

 

Resumo da entrevista

 

NANCI GIL – Neste terceiro módulo vamos falar de uma parte mais prática, o dinheiro. Às vezes a mãe volta trabalhar e as despesas aumentam com a criança, escolinha. O que fazer para administrar este tema tão importante dentro da família e continuar em harmonia? Muitas brigas acontecem com o casal quando o filho vem, a prioridade do dinheiro vai para onde? Como você nos orienta para que a família consiga administrar este tema do dinheiro. A prioridade é a criança, é o pai, é a mãe também porque a criança depende deles. Como você aconselha essa dinâmica para que seja harmoniosa?

WALDEMAR MAGALDI FILHO – Acho que você já deu a dica na sua própria pergunta, a prioridade no fundo tem que ser o bem estar do pai e da mãe, porque no fundo a criança depende do bem estar dos pais. Uma criança que percebe que os pais estão infelizes em função dela, ela fica muito comprometida. Eu vejo muitos casos onde a criança adoece fisicamente, onde aparece a bronquite, a febre reumática, até quadros precoce de diabetes juvenil e quando você vai perceber a família está disfuncional. A família está se mantendo de forma neurótica em função da criança, o pai não quer ficar mais com aquela mulher mas mantém por causa do filho, a mulher não quer mais ficar com aquele marido mas mantém por causa do filho ou os pais se sacrificam por conta daquele filho dando para ele algo que eles não podem dar, tirando do bem estar deles. Ou seja, no fundo, eu sempre digo isso, o que um filho quer é pai e mãe felizes, mesmo que separados. É mais importante para o filho ter um pai e uma mãe felizes do que os pais infelizes e ele beneficiado, porque isso gera um sentimento de culpa muito grande e de muitas vezes tentativa inconsciente de repara essa culpa. Então, nesse sentido, é o princípio da realidade, no sentido do dinheiro, como gerir esse dinheiro e como fazer essa criança ter acesso aos equipamentos eletrônicos, à educação e de clube, do que for dentro daquilo que é o orçamento da família. Não adianta querer colocar o filho num ambiente que não é o da realidade da família.

 

NG – Normalmente a mãe fica preocupada em estar perto do bebê, e os pais ficam preocupados em manter a casa e o bebê. Então normalmente eles vão em busca de novas rendas ou de dinheiro para que o bebê tenha todo o conforto. Isso traz uma ausência do pai dentro da família, essa importância que os pais dão no conforto é vital ou não? O vital é a presença deles? Como eles administram trazer dinheiro e estar presente?
WMF – Não tem a fórmula, voltando àquilo que eu estava comentando antes, o que precisa ter é esse sentimento de alegria naquilo que esta sendo feito. Se fica uma coisa pesada de sacrifício e de sentimento de culpa, é ruim. A mãe precisa desse pai de alguma maneira criando condições de provisão (abastecimento de coisas necessárias ou úteis), para ela ter a liberdade de exercer a maternagem de forma tranquila e alegre. Mas essa provisão do pai também tem que ter um limite. Às vezes, a criança precisa muito mais desse acolhimento do papai e da mamãe do que de excessos de luxo ou de parafernália tecnológica, porque no fundo tem hoje oferta inimaginável de itens de que o céu é o limite de valor, mas isso não vai fazer muita diferença no frigir dos ovos para a saúde física e psíquica dessa criança.

 

NG – O que é mais importante, é brincar com a criança, acariciar, ouvir, repartir? Quais são os verbos que você pode exercer para ser um bom pai e mãe?
WMF – O primeiro verbo é amar até os dois anos, a criança tem que se sentir amada.

 

NG – Mas às vezes as pessoas falam que você está mimando o seu bebê, aconselham não pegar no colo.
WMF – Não tem problema, até os dois anos quanto mais melhor. Isso é o que vai dar aquele fortalecimento psíquico que tecnicamente é o espelhamento do self que vai dar a autoestima para ele. Então, quanto mais essa criança, até o dois anos, foi cuidada, foi protegida melhor, não tem problema. Depois dos dois anos é o problema, porque a partir dos dois anos ela tem que começar a lidar com os sentimentos de frustração, de perda, de limite. E isso vai chegando até que, por volta dos sete anos, a criança tem que sair completamente do matriarcado e se instalar no patriarcado que vai até aos quatorze anos.

 

NG – Você citou alguns sentimentos que algumas mães se arrepiam só de pensar, a criança tem que conhecer o sentimento de perda, de frustração, normalmente a mãe não quer que o filho sofra nada. Quer dizer, você está falando que é saudável ele ter contato com esse tipo de sentimento que a mãe acha prejudicial?
WMF – Porque é humano. As pessoas esquecem que a felicidade independe de sentimentos como tristeza e dor. O indivíduo pode ser feliz apesar de ter sentimento de tristeza e dor, assim como tem muita gente que só tem prazer e alegria e no fundo é infeliz. Porque a felicidade é um princípio maior, um estado que eu chamo de condição espiritual de vida e se esses pais estão felizes eles podem capacitar essa criança de lidar com a realidade que de fato é dura. Todo processo evolutivo ele implica em perda, ele implica em passagens e cada passagem é o luto que tem que ser vivido e é importante a criança lidar com esses lutos quando ela já tem estrutura egóica suficiente para isso. E o ego já está começando a se manifestar de uma forma mais plena a partir dos dois anos, na verdade ele nasce literalmente aos 21 anos.

 

NG – Você falou que nós somos animais, no primeiro módulo, que demoramos mais para nos desenvolver.
WMF – Mas é importante isso para criança, lidar com estas questões.

 

NG – Às vezes existem frases “eu não quero que meu filho sofra”. Então, deixar que ele sofra de vez em quando com a própria dor, perdeu um brinquedo, não ganhou não sei o quê, não foi não sei aonde é bom?
WMF – Eu não quero que meu filho sofra, entende-se eu não quero que meu filho viva. E aí, mais adiante, ele diz: “doutor, o meu filho não desenvolve”. E a própria palavra diz é ele não sai do envolvimento, ele não des-envolve, ele precisa sair desse envolvimento, deixa ele desenvolver, para desenvolver tem que sofrer, tem que desmamar.

 

NG – Se você quiser saber mais, acompanhe. Temos mais uma entrevista com o Dr. Waldemar no quarto módulo.